por Jade Gola
Linda DJ russa transborda personalidade e talento, cheia de paixão por música e DJing. Ouvimos o seu primeiro álbum.
Parte do processo de consolidação de um DJ em ascensão é lançar o “primeiro álbum autoral”. É o passo crucial da discotecagem para a produção, necessário para a diversificação artística e, como se sabe, para o cachê valer mais e novas datas pipocarem.
É exatamente neste estágio em que se encontra a DJ russa Nina Kraviz, que produz há dois anos mas só agora dia 27 de fevereiro lança seu primeiro LP, intitulado apenas “Nina Kraviz”. O trabalho sai pelo Rekids, selo referencial que lança coisas bem cotadas de house, disco, deep e techno de gente como Luke Solomon, Toby Tobias, Spencer Parker e Radio Slave, que vem a ser o dono do imprint.
Mas, afinal, quem é Nina Kraviz? Original de Irkutsk, na fantasiosa Sibéria, a russa é linda, boa DJ que toca basicamente em vinil e desde 2009 solta suas primeiras faixas, que renderam bastante. Adentrou o panteão de DJs em carreira internacional na Europa, e vive entre seu HQ em Moscou e noitadas em Berlim, Ibiza, Londres, Leste Europeu, Espanha e onde mais tiver um bom clube.
Nina, grosso modo, é um tipo de nova-Ellen Allien. Figura atraente, talentosa e cheia de opinião, num mundo muitas vezes sem personalidades dos DJs. Some a isso seu conhecimento e respeito por gêneros como Detroit techno e, principalmente, deep house groovy e gordo, que cada vez mais angaria amantes inveterados. E ela ainda canta com voz rouca e sexy por cima das músicas…
Nina Kraviz – Pain In The Ass (Rekids – 2009)
Não é difícil encontrar na web entrevistas de Nina detonando os “DJs de Traktor”. Aqueles imersos na técnica e na frieza de computadores, que dependem do botão “Sync” para se apresentar ao vivo e criar a atmosfera da festa, que muitas vezes acaba sendo excessivamente correta, asséptica. “Acho que a Traktor deveria parar com isso (o botão Sync). É horrível para a cena. No que isso vai dar em alguns anos com os jovens ouvintes?”, questiona, revoltada, à revista eletrônica Halcyon. “É muito fácil mostrar como você é bom colocando efeitos no seu computador ou com alguma caixa de efeitos para levar todo mundo à loucura com reverbs e ecos… Mas tente animar uma pista usando apenas dois discos (de vinil)! Isso é uma arte eu acho. Isso ainda é uma arte”, opina.
Jovem, bonita e talentosa, Nina sabe que valorizar seus skills manuais só agregam interesse e reconhecimento à sua figura. De fato, um bom DJ de Traktor pode levar uma pista abaixo, mas o quão legal não é ver uma guria, animada, dançando, tocando muito bem com vinil? Olha ela em ação no vídeo abaixo em Ibiza.
Nina Kraviz@Circoloco Dc10 (Ibiza)
Seu primeiro album, que o deepbeep ouviu com antecedência, também é uma evolução no som de Nina Kraviz. Mais contemplativo, deep e intimista, é outro momento da garota, bem distante do bass pesado e dançante de sua apresentação ao vivo. Nesse diário musical de variações entre o techno-pop e experimentações feitas com sintetizadores vintage em seu quarto, Nina lembra a própria Ellen allien, já citada, além de Róisín Murphy em alguns tons de voz e outros tipos de composições já tentadas por artistas femininas eletrônicas como Dinky e Dani Siciliano.
Mas o álbum sofre do “mau do experimentalismo”: zela demais pelo lado autoral, e acaba deixando de lado a eficiência techno/house dos singles anteriores, “Pain in the Ass” e “I’m Week”, que entregam mais de imediato a identidade musical de Nina. O LP insiste ainda numa libido deep, talvez inspirada por essa época de sensualismo latente de Nicolas Jaar e afins, que pode acabar soando meia-bomba.
De qualquer modo, destaque para sua sagacidade na composição analógica e em algumas faixas pontuais: a jazzy “Choices” é amor puro, enquanto “Ghetto Kraviz” é Nina, mais uma vez, trabalhando a sua persona artística em um electro booty que é criativo e minimalista.
Nina Kraviz – Ghetto Kraviz
Estrela em formação, Nina tem todas as competências e destaques que a credenciam para vivenciar o sucesso pleno na dance music. Não faz muito tempo ela já foi capa da DJ Mag, e acima de sua imagética e de variações sonoras em sua carreira, é louvável e muito gostoso ver uma DJ que gosta de tocar dançando, que se apaixona na pista quando um DJ toca bem, que é carismática… Enfim, alguém que está nessa vida clubber por paixão, e não por conveniência.
“NINA KRAVIZ” LP – Lançamento via Rekids em 27/02
1. Walking In The Night (with Hard Ton on 303)
2. Aus (feat. King Aus on the Mic)
3. Ghetto Kraviz
4. Taxi Talk
5. False Attraction
6. Working
7. Choices
8. Love Or Go
9. Best Friend
10. 4 Ben
11. Turn On The Radio
12. Petr
13. The Needle
14. Fire
http://www.myspace.com/damelaayer
https://www.facebook.com/pages/Nina-Kraviz/192110944137172
bla bla bla disse em 13 de February de 2012
Ainda esse papinho de vinil ? Cai pra dentro minha nega, faz o teu e deixa os outros em paz.
Não é todo mundo que pode ficar bancando essa brincadeirinha chamada vinil e outra: cada um cada um. Faça a sua arte que o resto é conversa fiada.
Gutto Fs disse em 1 de February de 2012
Cara, ouvi a faixa e é simplesmente d+, aguardemos…
Reneudes disse em 31 de January de 2012
Preciso desse VINIL !!!